Memorial de Jucileda Lopes .
No começo, que eu dizia ter começado tão tarde, eu era a mais velha da turma, tão magra e sem graça, cabelos lambidos, usava uma saia que batia no meu joelho, me sentia ridícula e era obrigada a ter que seguir a tradição da família.
Lembro-me que iniciei a leitura com o ABC na época da alfabetização. Depois, passei por um momento muito especial na minha vida, quando no primário recebi o meu primeiro livro: A Cartilha Mágica, na capa tinha uma fadinha com a varinha mágica na mão. Depois, passei para a Cartilha Mágica 1, Cartilha Mágica 2 e a Cartilha Mágica 3. Ufa! Só isso!
Neste momento, recordo-me que foi nessa época que minha avó contava historinhas do bicho papão e do lobisomem, me ensinava brincadeiras de roda, foi quando aprendi a cantar as músicas: Ciranda – cirandinha, atirei o pau no gato e o alface já nasceu a chuva quebrou o galho. Vamos pra frente... rsrsrs.
No meu primeiro contato com os livros didáticos, o que mais me motivou a praticar a leitura foi à hora da lição, que sempre trazia histórias diferentes e interessantes, tinham gravuras que me chamavam muito a atenção e despertava a minha curiosidade em saber o que aquela história queria passar, faziam com que eu entendesse melhor o que era narrado pelo autor.
Estudava em casa também, logo queria adiantar a leitura para ler a próxima história do livro. Depois disso, tudo que via era interessante para mim, não podia pegar numa caneta sem ter que inventar uma história, inúmeras vezes, escreve o nome da minha cidade, a palavra amor, e o meu próprio nome e acho que a partir daí melhorei minha caligrafia, minhas professoras diziam: - Olha! Leda tem uma letra tão linda. Depois dessa fama, todos os trabalhos que a turma tinha que fazer, pedia para que eu escrevesse. Nessa mesma época, comecei a ler as revistinhas em quadrinhos, todas que podia ler, até 5 ou 6 gibis por dia.
Durante a temporada do ensino fundamental, entrei para o curso da Catequese onde tinha vários livros com histórias tiradas da Bíblia, comecei a navegar na leitura bíblica. Foi realmente uma viagem saber sobre a história de um bom homem chamado Jesus Cristo, no livro: A História da Bíblia, do Autor Ferreira de Almeida.
Nesta mesma fase, também descobri os romances: Júlia, Bianca, Sabrina e outros que sem pedir licença invadiram a minha intimidade e influenciaram muito na minha vida, despertando uma coisa que é chamada de paixão na adolescência.
Recordando-me, acho até graça, só de lembrar as noites perdidas lendo aqueles romances pela madrugada adentro, ansiosa para saber logo o final, fantasiava em meus pensamentos uma Leda loira, morena, ruiva, ou seja, eu era sempre a atriz principal, que terminaria com aquele homem lindo e perfeito. Na vida real, era bem ao contrário do que o livro contava, pois o príncipe encantado nunca aparecia.
Recordo que comecei a assistir novelas pela greta da porta do meu quarto, A Escrava Isaura, Roque Santeiro e Jerônimo. Porque meu pai tão rigoroso me mandava ir dormir, só me deixava assistir as aventuras de Cacá, o desenho de um garoto que morava nas cavernas e comia coxas de frango.
As novelas me ajudaram a construir historinhas, desenhadas e escritas por mim. A primeira historinha que escrevi foi as aventuras de KIKO, um garoto magrelo de poucos amigos e muito solitário eu vendia as revistas que fazia para os meus amigos, eles se divertiam com a idéia. Hoje eu acho tudo tão engraçado, na época era tudo tão sério para mim.
As canções despertaram em mim os desejos de escrever músicas, gravei 10 músicas românticas de minha autoria em fita cassete (falando sobre isso, até me recordo à letra de algumas) e oferecia para meus visinhos comprarem as fitas.
No ginásio, sempre muito dedicada aos estudos, cada dia uma nova conquista, tinha um imenso carinho pelos livros e por algumas matérias. Quando conheci novas línguas me encantei. Mais falando de algumas disciplinas muito complicadas, a exemplo de química e física, nunca fui fã. Nesta fase, me apeguei muito a leitura da Bíblia, despertou em mim a vontade de me aprofundar nestes assuntos.
Quando estava na 7ª Série, conquistei o maior tesouro que a vida pode dar, o nascimento de um filho, nasceu a minha primeira filha, Jéssica Irís Lopes ou simplesmente Jéll, continuei com os estudos e formei-me em um Colégio Público.
Hoje, depois de 17 anos sem estudar, abracei uma grande oportunidade e desafio para mim, voltar aos estudos e estou realizando um sonho ingressando na faculdade. Escolhi um curso que se identifica comigo, tem várias opções de inserção no mercado de trabalho, além de estudar em uma das melhores Faculdades do Brasil.
Já tenho o prazer de experimentar na prática algumas atividades que tem haver com Comunicação Social, Publicidade e Propaganda. O meu trabalho
como locutora amadora na rádio alternativa e nos cerimoniais em eventos onde faço a locução, na gravação de spot e comerciais para as rádios e carro de som. Amo essa atividade, me realizo muito.
Minhas expectativas são grandes quanto a essa escolha, é uma fase definitiva na minha vida profissional. Observo que tudo que faço no meu dia a dia, envolve a leitura e a escrita, na leitura dos textos, na construção dos projetos.
Bom, minha história não é tão extensa, aqui vai um pouco sobre algumas épocas.
Sei que neste momento que estou acabando de escrever, imagino você lendo o Memorial, que parte para uma nova fase, na minha vida de... HISTÓRIA DE LEITURA.
Agradeço a atenção
Beijos,
Jucileda Lopes.
Postado por Kelly Cristina e Marcelo Pitombo.


1 Comentários:
Leda, minha amiga. Obrigada pelo carinho da sua amizade. O melhor na escola, além de estudo, é que fazemos amigos,e como o conhecimento, os amigos a gente nunca esquece. Você é uma mulher excepcional e muito valente.
Você é um exemplo.... também te amo e que nosso Deus lhe abençoe sempre. Sua sempre amiga...lú.
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