Memorial de Veronica Reis.
Através da construção de meu Memorial, percebi a importância que a leitura teve em minha vida, tanto como estudante, tanto como profissional e ainda mais como pessoa. O memorial teve como objetivo mostrar a narração escrita de fatos, feitos e períodos memoráveis da minha vida como leitora. Exprime atitudes e acontecimentos que contribuíram para a minha trajetória de leitura e seus diferentes sentidos para minha vida como ser humano. Em síntese, percebi que a leitura é de fundamental importância para vida de qualquer pessoa, ainda mais para aquelas que almejam uma carreira promissora. Percebi também que é através da utilização de todo conhecimento possível e disponível, que vou evoluir como pessoa, estudante e em conseqüência disto, como profissional.
- INTRODUÇÃO
“Ler é uma atividade extremamente rica e complexa, que envolve não só conhecimentos fonéticos ou semânticos, mas também culturais e ideológicos. Pode ser um processo de descoberta, uma tarefa desafiadora, ou mesmo lúdica. Porém, será sempre uma atividade de assimilação de conhecimentos, de interiorização, de reflexão. Mais que decodificação, a leitura é uma atividade de interação, onde leitor e texto interagem entre si, obedecendo a objetivos e necessidades socialmente determinados.
A leitura sempre irá depender do que a pessoa já sabe das experiências adquiridas ao longo da sua vida. Qualquer atividade – inclusive a da leitura – se desenvolve na convivência com o próprio mundo. Um indivíduo aprende a ler quando relaciona o que lê com seu conhecimento de mundo, ou seja, com as experiências que traz em sua “bagagem”. Assim, cada pessoa terá uma leitura particular de um mesmo texto, ou da vida, dependendo do seu conhecimento prévio.
Cabe ao professor guiar o aluno e encorajá-lo a usar todo o seu conhecimento prévio para que possa participar ativamente do processo de leitura, utilizando seus procedimentos de interpretação de modo a interagir com o texto, em busca do seu significado.”
Tatiana del Rio.
Ler. Será que está pequena palavra possue apenas um sentido? Será que se remete somente a livros? O Pai de João Ubaldo Ribeiro (reza a lenda) dizia que livros com menos de 300 páginas, não poderia ser considerados livros, e que autores que escreviam menos que isso, não poderiam ser considerados autores. E o que é leitura? Restringe-se somente a textos escritos? Através deste memorial, exponho um pouco da minha vida de leitora, de como os livros influenciaram minha vida, e de como a leitura da vida me possibilitou crescer e amadurecer. Venho, com a construção desse, relembrar fases importantes da minha vida, e pela primeira vez, parar para observar a influência que os livros exercem na vida de um ser humanos, independente da classe social, da cor de sua pele, do seu país, dos seus amigos, e familiares, e até mesmo do seu grau de instrução.
- MEMORIAL DE LEITURA
Afinal o que é leitura? É apenas o fato de alguém possuir um livro, e interpretar, as palavras, frases ou o texto ali escrito? Aparentemente leitura abrange muito mais que seu sentido literal, ou seja, abrange mais do que simplesmente ler. Ao longo do tempo, percebi que a leitura é um mundo muito mais amplo que somente a interpretação de material escrito, seja um livro, revista, história em quadrinhos, jornal, ou um anuncio.
Meu nome é Verônica Quênia Oliveira Reis, nasci dia 13 de junho de 1991, em Salvador, a terra de Jorge Amado. Sou filha única, de certa forma é claro, tenho uma irmã por parte de pai (mais velha) e uma por parte de mãe (mais nova). Fui educada por meus avôs maternos, em Recife – PE, meus pais se separaram quando eu tinha sete meses, minha mãe tinha 18 anos e meu pai 23.
Aprendi a ler e a escrever rapidamente, fiz a alfabetização em uma escola de Vitória de Santo Antão em PE, só me lembro que o nome era “Francisco de Assis”, não tinha muito interesse em livros, gostava mais de assistir televisão, na TV Cultura. Eu e minha avó nos mudamos para a Bahia quando eu tinha seis anos, ela havia se separado de meu avô e compramos uma casa, no Novo Horizonte em Camaçari.
Fiz da primeira á quarta série em escola particular, e sempre fui boa em leituras na classe. Na segunda serie foram solicitados alguns romances, eu não me interessei muito, tinha medo dos livros, achava assustador; um dos primeiros que li cujo nome era “Cuidado! Não olhe para trás.”, de Stella Carr, era um suspense, se passava em um prédio, onde quatro adolescentes descobriram que seu misterioso síndico iria dominar o ‘mundo’ através de uma poderosa tecnologia. Li também, nessa mesma época Robin Wood, gostava tanto que li mais de quatro vezes. Histórias banais sim, contudo sempre aproveitadas, quer fosse pela lição que ensinavam, ou para enriquecimento de vocabulário.
Minha leitura da vida começou aos cinco anos, quando minha avó descobriu que meu avô tinha outra família. Aquilo marcou minha vida, e daquele momento em diante, passei a pensar mais sobre tudo, mesmo sendo ainda muito pequena. Sempre fui mimada, mandona, e sempre soube o que queria, ainda que esta última característica da minha personalidade mesmo presente tenha sido abandonada há muito tempo.
Os livros me influenciam desde muito nova, na minha maneira de pensar, de agir e de ler a vida. Não fui por minha avó incentivada a ler, tampouco por minha mãe a qual via muito pouco. Entretanto, como morava na casa de minha tia com minha avó (deixamos a casa Novo Horizonte e nos mudamos pra Jauá), sempre me interessei pelos livros das minhas primas, pois minha avó, nunca me comprava livros.
Conheci minha madastra aos oito anos, e achei que só seria mais uma na vida de meu Pai, meu contato com ele era o mínimo possível, sendo que quando ia visitá-lo na realidade ficava na casa da irmã dele, minha tia. Meu interesse por leitura começou aos 11 anos, quando recebemos os livros que iriam ser utilizados durante o ano letivo. Me apaixonei pelo de História, li antes da primeira aula, foi ai que nasceu minha afinidade com essa disciplina.
No mesmo período, li Capitães da Areia, o primeiro livro da série de Harry Potter, O Senhor dos Anéis, (sendo que sempre eram emprestados) e alguns outros livros que encontrava na casa de minha tia. Na biblioteca da escola (pública) que eu estudava alunos da minha idade não tinha permissão pra ler romances como Capitães da Areia, então eu pedia pra amigos meus, mais velhos, pegarem pra mim, e às vezes convencia a diretora a liberar algum outro também.
Aos 12 anos me mudei pra Brusque – SC com minha mãe, estudei em escola estadual, meu passatempo era na biblioteca, e então ler se tornou um vicio. Era algo até mesmo compulsivo. Neste tempo decidi que história ou musicologia.
Comecei com livros de história do Egito, coleções como A Pedra da Luz de Christian Jacq composta de quatro volumes, livros de história do Brasil, história mundial, livros sobre maçonaria, entre outros, sendo que a maioria voltada para história. Neste tempo decidi que história ou musicologia. Eu sempre estava lendo alguma coisa. Costumava ler de três a quatro livros por semana, a maioria deles da coleção vaga-lume.
Aos 13 anos, na sétima série, e ainda morando com minha mãe, me interessei por enciclopédias, e livros voltados para pesquisa, minha visão do mundo continuava mudando com o passar do tempo, sempre fui muito fechada em relação a minha imagem como pessoa, então isso mudou muito pouco. Praticava esportes, tais como vôlei, futsal, handball, xadrez e ping-pong. Gastava algum tempo com filmes e musica (principalmente rock) também, ou escrevendo Crônicas.
Nesse período li cerca de 150 livros. Costuma ficava de castigo por causa da minha irmã mais nova, e minha mãe tomava todos os meus livros, ameaçava queimá-los caso me pegasse lendo. Isso é hilário, porém na época era apavorante. Eu lia mangá também (revistinha japonesas), gostava muito de um chamado “Read or Die”, nele uma menina universitária gastava todo seu salário em livros, ela trabalhava na biblioteca central de Londres, e incrivelmente tinha domínio sobre o papel, passando por diversas aventuras, e lutas do bem contra o mal.
Um pouco antes de completar 14 anos, voltei de Brusque – SC, morei um tempo com uma tia, irmã da minha mãe, e depois fui morar com meu pai e minha madrasta. Comecei a trabalhar na loja do meu pai, uma Lan House.
Li romances como Senhora, Memória Póstumas de Brás Cubas, O primo Basílio, Vidas Secas, Viva ao Povo Brasileiro, O Ateneu, Iracema, O Cortiço, a Odisséia, Os Sertões, e na verdade nunca tive muito paciência pra esse tipo de literatura, mesmo tendo amado alguns destes citados. Minha Marca de livros já devia estar perto dos 200.
Com 15 anos deixei a leitura um pouco de lado. Passava horas e horas jogando no computador, depois de quase um ano, eu perdi o interesse, e quase perdi o ano letivo também, voltei a ler, e foi exatamente ai que minha visão a respeito de quem eu sou como pessoa começou a mudar.
Comecei a me interessar por física quântica, química, oceanografia, história da arte e voltei a estudar sobre a maçonaria, até porque ganhei amigos DeMolay, me interessei também por Charles Baudelaire, mesmo achando que seus contos e poemas são um tanto trágicos, góticos e até providos de certa escuridão, passava muito tempo lendo, pesquisando sobre a vida dele. Li também As Vitimas-Algozes, O código da Vinci, Anjos e Demônios, Fortaleza Digital, (este três de um autor que gosto muito, Dan Brown), O Pequeno Príncipe (uma verdadeira lição de vida).
Com 16 anos comecei a mudar muitos conceitos, sobre pessoas, sobre coisas, sobre o futuro, e sobre a vida; Sempre achei que os que liam mais eram os mais inteligentes, e isso é um fato. Nunca tive muito incentivo familiar em relação à leitura, alguns professores e amigos me elogiavam pela minha facilidade e amor aos livros, outros duvidavam que eu conseguisse ler tantos livros e tão pouco tempo.
Não me importava, amo ler e isso não é algo forçado. Tenho uma quantidade razoável de livros em casa, tenho muito ciúme deles, raramente os empresto, e 40 deles ocupam minha mesa de estudo, são dos assuntos mais variados; desde aulas de xadrez, até romances sobre vampiros, ou livros de história do Brasil.
Isso é algo que desenvolvi ao longo da minha vida, é parte da minha personalidade, parte de quem eu sou. Quando estou chateada, estressada, triste ou até mesmo feliz eu leio, ouço musica e leio. Sempre tive dificuldade para encontrar pessoas que tivesse os mesmos interesses e gostos que eu, até hoje, ainda é algo complicado, sempre gostei e ainda gosto de coisas pouco comuns.
Às vezes eu mesma me acho um pouco estranha, eu gosto de rock, jazz, música clássica, reggae, amo lobos, corujas, gatos, filmes épicos, cores escuras; Eu amo o mar, ele me da paz, calma... Mas em compensação detesto sol. Amo a noite, o frio, a chuva, o céu (até ganhei um telescópio do meu pai.), e é claro eu amo ler.
Um dos que li recentemente e gostei foram os quatros volumes da saga Twilight, que é composto por Crepúsculo, Lua Nova, Eclipse e Amanhecer, lido por inúmeras pessoas, e “O morro dos ventos Uivantes”, de Emily Brontë que é realmente um clássico. Na maioria das vezes sou vista por outras pessoas como algo diferente, o que não me incomoda nenhum pouco, até pelo fato de ser evangélica, acabo sendo visto com certa surpresa.
Amo outras leituras como “O Manifesto Comunista”, “A arte da Guerra” de Sun Tzu e “O Príncipe”, de Maquiavel. Até hoje, leio temas e assuntos variados, só rejeitando os de Auto Ajuda, e os ‘romances’ do estilo “Sabrina”. Faço uso também da leitura evangélica, livros de autores como Benny Hinn e Max Lucado, são prazerosos, nos ensinando coisas sobre Deus, sobre a vida, e sobre nós mesmos.
No momento estou lendo Rei Lear, de Shakespeare. E hoje vejo a vida como algo que deve ser aproveitado com coerência, e responsabilidade. Sempre respeitando o limite e espaço do próximo, e estando sempre disponível para compartilhar meu pouco conhecimento com aqueles que não tiveram incentivos ou tanto interesse quanto eu.
Atualmente moro em Dias D’Ávila, ainda com meu pai e minha madrasta, (eles estão juntos há dez anos,) trabalho em uma gráfica da minha família, e curso Publicidade e Propaganda na UNME, não por minha escolha, mas de meu pai. Por minha vontade teria feito Museologia na UFBA. Sou amiga de minha mãe, vou visitá-la às vezes, confio nela mais do que em qualquer outra pessoa, porque ela realmente me compreende, ainda que não deixe de se posicionar como mãe, e sou apaixonada por minha irmã mais nova.
Estimo que hoje esteja na marca dos 400 á 450 livros, há muitos que não lembro, pois li somente uma vez, ou li há algum tempo. Todavia, há tantos outros que marcaram a minha vida, a minha história, o meu eu, e estes estou sempre relendo, sempre relembrando, como Brida de Paulo Coelho, uma edição de 1991 que ganhei de um grande amigo há três anos. Sempre que preciso de uma orientação, um norte sobre a vida, e principalmente sobre as lições do amor, leio novamente.
O mundo de Sofia também está entre estes, ganhei a algum tempo da minha madastra, apesar de já ter lido antes; ou Equador de Miguel Souza, tido por muitos como um livro chato, banal, simplesmente para constar no vestibular, para mim mostrou uma lição de vida, a história de alguém que por uma escolha malfeita, mal pensada, acabou por definhar.
E assim, finalizo meu Memorial, sei que não citei quase que nenhum dos livros que passaram pelas minhas mãos, mas pra mim o que importa é o que eles me ensinaram, passaram pra mim através da sua mágica de prender a atenção e a alma das pessoas as suas linhas, suas frases, seus parágrafos, seus capítulos.
Não gosto muito de falar sobre mim, ainda que sendo questionada, acabado contado coisas da minha vida, ou sobre mim que guardei ao longo do tempo. Tenho dois melhores amigos Juliana (que sabe praticamente tudo sobre mim) e Heitor, que sabe o suficiente pra reconhecer o meu estado de espírito apenas por uma palavra, ou pelo meu silêncio.
É obvio que não desprezo outras amizades, mas há pessoas que aparentemente fazem parte de você, da sua alma, compartilham os seus pensamentos, o que você sente.
Hoje estou em um momento da minha vida que se encaixa perfeitamente em uma musica de Los Hermanos chamada “Retrato pra IáIá” que diz “ Deixa ser como será! Eu vou sem me preocupar. E crer pra ver o quanto eu posso adivinhar... (...) Deixa ser como será! Tudo posto em seu lugar, então tentar prever serviu pra eu me enganar. Deixa ser, como será! Eu já posto em meu lugar, num continente ao revés, em preto e branco, em hotéis. Numa moldura clara e simples sou aquilo que se vê.”
Hoje, eu tento viver um dia de cada vez, cada hora de cada vez, não tentando olhar pro futuro, mesmo que o futuro seja daqui à uma hora. Eu já perdi muita coisa por tentar prever o que iria acontecer, por achar que eu podia controlar o futuro. É claro que de certa forma eu posso, porque tudo que fazemos gera uma conseqüência boa ou ruim, mas como diz Marcelo Camelo: “Ora, se não sou eu que mais vai decidir o que é bom pra mim? Dispenso a previsão.”
Fim!
- CONCLUSÃO
Concluí que a leitura é algo de suma importância na vida de qualquer pessoa, mesmo que passando a leitura despercebida, seus reflexos jamais serão. Pois aquela que lê, tanto livros, tanto o mundo, tanto a vida, sempre será uma pessoa mais aberta, mais perceptível para novos conhecimentos, novas visões, novos mundos que se abrem quando você é um bom leitor.
Percebi que o hábito que adquiri de ler, me levou a ter facilidade em matérias humanas, como Língua Portuguesa, História, Geografia e Redação, me levou também a possuir uma visão mais ampla da vida, das pessoas, das coisas ao meu redor. Aprendi também que como cita Maria Helena Martins “A psicanálise enfatiza que tudo quanto de fato impressionou a nossa mente jamais é esquecido <...>. Essa constatação evidencia a importância da memória tanto para a vida quanto para a leitura.”.
Ou seja, aprendi que leitura não se resume somente em ler palavras, mas fazer leitura de situações, do cotidiano, da vida, das pessoas, e, sobretudo lutar para não nos tornarmos seres alienados.
Postado por Kelly Cristina .

1 Comentários:
Véll, estou encantada em conhê-la, depois de saber mais sobre você neste Memorial de Leitura, realmente você é uma forte referência na dedicação a leitura, tem uma inteligência abençoada, sendo tão jovem, surpreende à todos com a demonstração de sabedoria e conhecimento.
Você é uma riqueza meu amor.
Você e Lipe são lindos. Perfeitos! *---*
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