Memorial de Tereza Pereira
A construção desse material tem como objetivo a reflexão das diversas leituras realizadas durante as diversas fases da minha vida, e a importância desse material na minha formação cultural e pessoal .
Para organizar esse memorial vou considerar as três fases da vida: a infância, a adolescência, e a fase adulta. A trilha dessas leituras expandiu-se entre os mais diversos tipos literários. Dentre eles: o religioso, o romântico, o histórico narrativo, o político, os contos, o poético, o mítico, o informativo, clássicos, dentre outros.
Articulando minhas recordações da infância tenho registrado o livro da “Arca de Noé,” adquirido através de um sorteio durante as aulas de catequese. Recordo-me até hoje da alegria de ter ganhado o primeiro livro paradidático. Este, muito colorido continha a saga do dilúvio. Naquela época achei muito natural saber que muitas pessoas tinham morrido, pois o Deus que era colocado tinha um ar ameaçador e que castigava. Isso ainda de forma amena influenciou durante muito anos da minha vida. Logo depois, ganhei diversos livros da minha querida madrinha, da série Wall Disney, tais como: “A Branca de Neve”, “Chapeuzinho Vermelho”, entre outros. Essas leituras criava em mim o desejo de ser também uma princesa a procura do príncipe encantado. Foi um período calmo e de muitos sonhos.
Na adolescência, tive novos encontros com a leitura de forma muito curiosa. Recordo-me que encontrei um livro no sótão da Igreja matriz na Pituba. O fato desse encontro deu-se por ter sido a tocadora oficial do sino, amava fazer ecoar aquele som pelas ruas e praças daquele bairro. Arrumando os folhetos achei um exemplar do “Ato da Compadecida” de Ariano Suassuma comecei a folhear e rapidamente absorvi todo o conteúdo, estava escrito para teatro. Pensava, sorria, fiquei fascinada com as travessuras de João, a história do cachorro, padre, igreja. A partir daí pensei em fazer teatro e encenar essa peça. Isso ainda não aconteceu. Em seguida surgiram as revistas “Capricho” novamente os príncipes tomavam conta do meu imaginário. Pena que eles estavam sempre nas revistas. Contudo essas leituras me ajudaram, a estar sempre em contato com outros livros.
Em seguida li a biografia dos músicos clássicos tais como Bettoven, Mozart, Bach, livros disponíveis na biblioteca da casa de uma amiga, lá também tive o privilégio de ouvir esse repertório, e passei a gostar desse estilo musical.
No decorrer dos estudos li os clássicos do romantismo, a exemplo de: “Iracema”, “O Guarani”, “Senhora”, “Moreninha”, dentre outros. Fato interessante fiquei apaixonada pelo índio de estilo europeu. Outra observação, não me dava conta de que os índios faziam parte da nossa história de fato. E que eles existiam. Triste realidade, não foi feito para que amássemos os nossos antepassados. Depois li "Vidas Secas” e chorei muito com a morte de “Baleia”, e toda a questão social do povo nordestino.
Na fase adulta recordo-me que li “Papilon” os dois volumes, foi uma narração falando da liberdade e sobrevivência e das injustiças da Justiça. Em seguida li a “Baronesa” de Chiara Lubiche, fundadora do movimento Focolares. Era o primeiro que trazia as questões da alienação da juventude, a partir do consumismo, a ilusão das corridas, do cigarro, etc. Contudo, falar de Chiara nos leva a outras histórias que demanda mais tempo. Foi bastante significativo.
Dando continuidade, li também, os “Cem anos de solidão " de Gabriel Garcia Marquez, demorei a lê, foi uma leitura densa. Mas pude entender como o capitalismo mina a sociedade. Nesse período descubro Jorge Amado e leio os livros: "Mar Morto" e "Gabriela Cravo e Canela". Ele constrói os personagens trazendo o regionalismo e fazendo uma crítica social. Na época não percebi alguns detalhes a respeito do uso da imagem da mulher brasileira.
Anos depois, li alguns livros que falavam da revolução no Brasil e em outros países tais como: "Memória de Cárcere,” “Olga Benario,”de Fernando Morais, “A Travessia”, de Paulo Cony, “As Cartas de Frei Beto”, a “Revolução dos Bichos” de George Orvel, “Revolução Cubana”, e “Revolução da Nicarágua”. Essas leituras me ajudaram a perceber o discurso político da época.
Dois livros também importantes para minha compreensão de mundo foi: O “Complexo de Cinderela” me ajudou a desconstruir o príncipe encantado. E “Utopia e Paixão” de Roberto Freire. Ele questiona os paradigmas da sociedade. Nesse período também li: Cecília Meireles, Castro Alves, Rubem Braga, Drumond, Paulo Freire, meu ilustre professor e outros mais. Atualmente tenho lido alguns livros que discute o Feminismo e a Violência contra as mulheres, dentre eles: “O Segundo Sexo”, de Simone Beauvoir, " O Poder do Macho”, “ A violência contra a Mulher” de Saffioti, Gênero”. E finalizando apresento dois livros que fazem parte da minha vida. A Bíblia Sagrada e Policarpo Quaresma. Esses dois recomendo a todos(as).
Postado por Kelly Cristina e Marcelo Pitombo .

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