Meu nome é Filipe Orrico, nasci em Salvador no dia 28/04/1990. Fui criado em uma família humilde, mas unida e harmoniosa, que sempre dentro das suas possibilidades me deu tudo de que precisei: estudos, lazer, amor e principalmente exemplos. Desde a primeira série do ensino primário estudei no CEAAT (Colégio Estadual de Aplicação Anísio Teixeira), e é a ele que devo toda minha base de estudos até hoje.
Acredito que a leitura seja uma porta para o mundo, mas, só pude perceber isso com a maturidade. Infelizmente não tive o incentivo dos meus pais para com livros, porém, sempre foram muito presentes na minha casa outros tipos de leituras, como a da vida.
Apesar da falta de incentivos no que diz respeito aos livros, sempre tive um diálogo aberto em casa, e isso me ajudou a entender as coisas com mais maturidade e fazer uma leitura mais realista da vida, talvez até distante do entendimento de uma criança, já que não se tratavam de histórias de cegonha ou algo do tipo. Meus pais sempre foram bem abertos a todos os tipos de assuntos, meu pai costumava dizer: “É melhor saber da minha boca do que ter curiosidade e descobrir de outras formas”. Já o sexo sempre foi um assunto claro e aberto, e eu sempre soube que não foi um simples pássaro que me trouxe a vida, e sim a relação sexual entre meu pai e minha mãe. Se partirmos desse ponto de vista, pode-se dizer que tenho o hábito da leitura desde muito pequeno, quando nem se quer sabia escrever. Pois, como diz o autor Paulo Freire: “O ato de ler ocorre muito antes da decodificação da palavra, no momento em que começamos a ler o nosso redor”.
No que diz respeito a real leitura de livros, ler um livro para mim era um ‘absurdo’, um hábito que nunca pensei que poderia se tornar algo integrante em minha vida.Porém, certa vez no ensino primário (quarta série), tive que ler um romance (cujo nome não me recordo) que seria o assunto da prova da unidade, e de uma obrigação passei a sentir prazer pelo hábito da leitura, acabei por ler o livro todo, e, dominando o assunto fiz uma boa prova. A partir daí tive uma outra visão da leitura e comecei a ter a percepção sobre os benefícios que ela poderia me trazer se optasse por aderi-la como um costume cotidiano.
Outra situação que ocorreu comigo, já no ensino fundamental e que também me obrigou a ler e de certa forma me constrangeu perante as pessoas, foi a frequência de erros ortográficos que cometia, e que serviam até mesmo como motivo de “chacota” para meus colegas, mais uma vez sentir a necessidade e a importância da leitura na vida de uma pessoa.
Sempre ouvia uma ex-professora minha dizendo que “a leitura é o principal responsável por uma escrita correta e, consequentemente, uma fala perfeita”. Tomei atitude e peguei um livro de ficção científica pra ler: A Droga da Obediência, de Pedro Bandeira, lí com prazer e a cada página que eu passava queria chegar à próxima e assim sucessivamente, com uma imensa curiosidade de chegar ao final e desvendar os mistérios. Ao terminar, decidir por dar sequência à leitura com os livros A Droga do Amor e Pântano de Sangue, ambos do mesmo autor, Pedro Bandeira.
Aparentemente eu começaria uma fissura por livros, mas não foi o que aconteceu. Acabei por iniciar na fase da internet, e nunca mais tive “tempo” para ler um livro. Na verdade, não quis tê-lo, pois quando tinha oportunidade não a disponibilizava para leituras, quando parava para ler era apenas por ocasião de uma obrigação.
No ensino médio, fui deixando progressivamente o vício da internet, pude perceber que ela é importante, e se bem utilizada poderia contribuir sensivelmente para minha formação em geral, mas não era e nem possuía tudo de que eu necessitava. Foi a partir desse discernimento que voltei a dar importância à leitura, disponibilizando de mais tempo para a mesma, e com mais maturidade encarei-a como necessária e indispensável. Comecei lendo livros que provavelmente cairiam no vestibular, como Senhora, Vidas Secas e outras obras de suma importância na nossa literatura.
Contudo, me considero um leitor relativamente iniciante e sei que não vou seguir todas as etapas da leitura como deveria: livros infantis, contos, fábulas, e daí por diante. Percebo dessa maneira que não poderei recuperar o tempo desperdiçado, entretanto, não vejo como se tudo estivesse perdido, pois, nesta nova fase da minha vida que é a Faculdade, aos 19 anos, pude reafirmar que a leitura é muito mais ampla do que eu pensava. Quero explora - lá como uma mata selvagem, lapidá-la como um diamante bruto, descobri-la como o homem primata descobriu o fogo, e dessa maneira quem sabe chegar a me tornar um leitor assíduo.
Postado por Kelly Cristina e Marcelo Pitombo .
1 Comentários:
Amooor!
Como eu disse, se fosse eu escreveria mais.
Contudo, tá ótimo, sucinto e objetivo, sem enrolações pra aumentar o número de paginas, o essencial ;)
Ameii :)
Beijos
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