Tarefa nada fácil é lembrar nossa própria vida, que dirás discorrer sobre nossa formação leitora. No entanto, para isso, dispomos de fatores que nos possibilitam associá-los a nossa formação leitora. Sendo estes leitores-guia, ou seja, pessoas que de alguma maneira incentivaram intelectualmente como emocionalmente.
Tomando por base o meio escolar, desde pequeno facilmente me deixava encantar com as letras e os números. Mas confesso que, mesmo inocentemente ainda, os números me fascinavam mais do que as letras. Contudo, sempre me destacava ora fosse em tabuadas ora fosse em ditados. Sem esquecer as historinhas que são contadas pelos professores e também pelos nossos pais, avós, tios e aqueles que desfrutassem de belas histórias de vida ou recordam os mais famosos contos ou fábulas como Chapeuzinho Vermelho, Peter Pan e outros. Assim como andar, comecei a ler e escrever bem rápido e sempre mantive uma boa e bonita caligrafia sendo muito elogiado por colegas, professores e familiares.
De todo o contexto infanto-juvenil, para mim, algo surpreendentemente motivador para a prática da boa escrita e que são pouco percebidas, são as gostosas rodinhas de amigos reunindo-se para jogar o inesquecível ABC (nomes com as iniciais das consoantes), ou aquela emocionante FORCA (descobrir palavras letra por letra) ou fosse aquela complicada SALADA DE FRUTAS (palavras de assuntos diversos com as iniciais das consoantes).
Agradeço a Deus por ter sido contemplado por uma avó que me ajudava bastante nas tarefas escolares e como se não bastasse, não só pelo motivo se ser professora, era a grande responsável por sermos dono de muitos livros em casa. Livros estes, que auxiliaram a fazer as pesquisas de colégio e me levaram a leitura dos mesmos. Do mesmo modo como gostava dos gibis da Turma da Mônica (Mauricio de Souza) e as fantásticas aventuras do TEX (Sergio Bonelli) e também da vasta linha de revistas que possuíamos, embora às vezes eu simplesmente olhasse as imagens.
Como era um garoto estudioso e interessado nos assuntos do colégio, gostava muito de pesquisar. Buscava resolver minhas dúvidas e curiosidades em dicionários, atlas, revistas do tipo Recreio, Veja, Isto é e Super Interessante, assim como tinham os livros e enciclopédias de animais, minhas preferidas, e as enciclopédias de assuntos gerais como A Enciclopédia das Enciclopédias da Folha de São Paulo (LAROUSSE-CAMBRIDGE-OXFORD-WEBSTER). Para finalizar a fase jovem, por influência de meu avô, entrei no mundo das palavras cruzadas e cheguei a ler um pouco da Bíblia.
Aproximara-se então o ensino médio. Possuía uma boa caligrafia, um bom léxico , uma boa concordância e uma boa leitura, fazendo com que, apesar de gostar mais de cálculos destacava-me na Língua Portuguesa e na Literatura. A mocidade, esta, aflorava em meu corpo, eu era muito carinhoso e romântico, a ponto de escrever inúmeros bilhetinhos e cartas para certas paqueras e namoradas que tinha. Sendo este um ponto muito importante para praticar e melhorar a escrita, já que precisava ser uma linguagem mais clara e ao mesmo tempo romântica que levasse as pessoas que estivessem lendo, transcender o imaginário de que eu estivesse ao seu lado lendo, declamando, versando para a mesma.
Isso me despertou um interesse maior no Romantismo que juntamente com as obras literárias exigidas no contexto do ensino, nos rodeava e nos confrontava através da sua leitura. Muitas dessas obras foram bem marcantes, pois produzimos apresentações teatrais que encenamos em sala de aula. Foram estas encenadas como o exemplo do Sítio do Pica-Pau Amarelo de Monteiro Lobato que de maneira descontraída e contagiante conseguimos levar a professora e nossos colegas a sentir um gostinho real da obra. Tivemos também apresentações como Vidas Secas, Triste Fim de Policarpo Quaresma, Dom Casmurro, Senhora, Iracema, O Cortiço, Navio Negreiro e O Pagador de Promessas que chegamos a apresentar no Aeroclube. Durante esse período, cheguei a ler ainda outras obras bem interessantes como Canção de Exílio de Gonçalves Dias, Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis, Capitães de Areia de Jorge Amado, O Estudante de Adelaide Carraro e um livrinho bem educativo e divertido que nos conduziu em diversos trabalhos, foi Memórias de Um Vírus. Para término do ensino médio foi solicitado pela nossa professora de Literatura, que fosse feito um Portfólio, devendo neste conter um resumo de nossas vidas escrevendo fatos escritos e fotos. Trabalho este que considerei muito curioso e que nos desenvolveu um aprimoramento e dinamismo na construção e montagem de textos.
Recentemente, o ambiente de trabalho, assim como o de cursos, me proporcionaram ler conteúdos do tipo “Animation Now”, temas sobre “Photoshop”, “Corel Draw” para o curso de computação gráfica que fazia. Sem esquecer minha paixão por animais, livros como “Um Dia Daqueles”, “Caçadores por Excelência” e “Enciclopédia de Animais” fazem parte do cenário do meu quarto. Já no âmbito trabalhista algo mais específico que se dirige aos “Regulamentos da Aeronáutica”.
Hoje, o ambiente de estudo em que vivo me proporciona uma ampla leitura para os assuntos relacionados ao meu curso que traz consigo a diversidade e globalidade de conhecimentos para serem adquiridos e, os meios que estes podem ser encontrados: livros, revistas, jornais, internet e outros. Vejo que tive um constrangimento de não ter tido maior empenho com a leitura e assim com os estudos e, me vejo hoje num comprometimento de melhorar essa situação.
Postado por Kelly Cristina .
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